Pequeno Guia Sobre Música Clássica – Parte 1
A seguir um a primeira das três partes do Pequeno Guia Sobre Música Clássica. O intuito é poder divulgar a música imortal para os ouvintes de primeira viagem. Selecionei algumas peças de grandes compositores que eu acredito serem peças convidativas, uma espécie easy listening da música erudita, o primeiro passo para você se convencer de que música clássica não é tão chata quanto parece. Também encorajo um passeio pelas óperas. Selecionei as mais famosas e as com enredo mais interessante. É claro que faltam inúmeros compositores importantes aqui, como Vivaldi, Händel, Mahler e tantos outros, mas tenho certeza de que se você se interessar por música clássica, sua curiosidade te levará a esses “caras”.
Antes de começarmos a falar de compositores e obras é interessante saber que, assim como na música popular contemporânea, temos gêneros musicais. A música erudita também contém seus gêneros, são diversos e os mais famosos são:
Suíte – São movimentos de dança para serem tocados sem interrupção.
Concerto – São obras compostas para instrumentos solistas, como um piano ou um violino, mas pode acontecer desses instrumentos dividirem a cena. O concerto geralmente é dividido em três movimentos, o primeiro orquestrado, o segundo que introduz o solista e um encerramento, mas essa não é uma regra.
Concerto de câmara – São obras compostas para “pequenas orquestras”. Um pequeno grupo de instrumentos executa a obra, por exemplo, um quarteto de cordas.
Sinfonia – É uma obra escrita pra orquestra e dividia em quatro movimentos. A forma como esses movimentos são dispostos, se mais rápidos ou mais lentos, muda de acordo com a época em que a sinfonia foi escrita.
Oratório - O oratório tem caráter religioso e geralmente é composto para orquestra, solistas e coro.
Réquiem – Obra de caráter católico e fúnebre.
Introduzidos alguns termos da música clássica, podemos conhecer um pouco mais das obras seculares, dividas por seus autores.
Wolfgang Amadeus Mozart
Nascia em Salzburgo no ano de 1756, um menino prodígio, que seu pai logo tratou de mostrar ao mundo, viajando e exibindo o talento de seu filho que foi tido como um gênio precoce. Após ter sido músico da corte em sua cidade natal, foi em Viena que Mozart viveu a maior parte de sua vida e compôs suas obras mais importantes. Anos após sua morte, o músico Ludwig Ritter von Köchel catalogou sua obra, por isso em todas as obras do compositor temos o K, de Köchel, e o número da obra.
Sua vida, apesar de forma não tão fiel, foi contada no filme Amadeus, vencedor de oito Oscars, incluindo melhor filme.
Obras sugeridas:
Sinfonia nº 40 K550
Concerto para Clarienta K622
Quinteto de Cordas K515
Réquiem K516 – obra inacabada
Serenata nº 13 K525 – Essa serenata é imperdível, também conhecida como Eine Kleine Nachtmusik (Pequena Serenata Noturna) é uma das obras mais famosas e uma das mais interessantes de se ouvir.
Johann Sebastian Bach
O compositor alemão é tido como um músico completo. Nascido em uma família tradicional de músicos, Bach se dedicou a música como construtor de órgãos, compositor, professor, maestro, cantor e outras diversas funções. Por ter desempenhando diversas funções em igrejas e cortes, o compositor contém em boa parte de sua obra o caráter religioso. Reparem que das quatro indicações, três são temas bastante associados à igreja e a casamentos (E podem soar como clichês por serem temas tão difundidos na sociedade contemporânea).
Parecido com a catalogação do Mozart, sua obra foi catalogada em 1950 e recebeu o código BWV (Bach-Werke-Verzeichnis – Catálogo de Obras do Bach, em alemão)
Obras sugeridas:
O Cravo Bem Temperado
Suíte nº 3 em Ré maior BWV 1068
Cantata BWV147 (Jesus Alegria dos Homens)
6 Suítes para Cello – O prelúdio da suíte nº 1 conquista qualquer um.
Ludwig van Beethoven
Beethoven não é aquele São Bernardo da Sessão da Tarde e sim um importante compositor alemão, idolatrado por Alex de Laranja Mecânica. Como outros compositores, ainda em sua infância era possível perceber o dom do pequeno Ludwig para música. Teve seus estudos financiados por um músico de destaque da época e depois pelo Arquiduque da Áustria, quando se mudou para Viena.
Aos 26 anos, Beetoven foi diagnosticado com uma doença que o deixaria praticamente surdo 20 anos depois. Seus problemas auditivos levaram a crises criativas e surtos de depressão.
A história de Beethoven sempre despertou o interesse de muitos, e já rendeu dois filmes bastante conhecidos, Minha Amada Imortal e o Segredo de Beethoven, sendo o primeiro dedicado a história de suas cartas escritas a sua misteriosa amada.
Obras sugeridas:
Sinfonia nº 9 – Com destaque para o segundo movimento e para o movimento final, que encerra a sinfonia com um coral cantando uma Ode a Alegria.
Sinfonia nº 7 – Destaque para o segundo movimento.
E as não menos famosas Pour Elise e Moonlight Sonata.
Frédéric Chopin
Nascido na Polônia, no ano de 1810, Chopin foi um compositor para piano. Sua iniciação no piano se deu por sua irmã mais velha e em seguida por sua mãe. Seu talento era tão nítido que recebeu logo o título de segundo Mozart. Esse título curiosamente também foi dado a outros compositores quando crianças, como foi o caso de Beethoven. Seu sucesso profissional se deu em Paris, onde faleceu aos 39 anos. Em seu enterro, foi executado o Réquiem de Mozart. Escreveu famosos noturnos, que são peças em que se destaca o melancolismo.
Obras sugeridas:
Noturno Op.9 nº 2
Noturno nº 20
Valsa em Ré maior bemol, “Valsa do Minuto”
Heitor Villa-Lobos
O carioca Villa-Lobos foi um compositor do modernismo brasileiro. Esse compositor conseguiu inserir na música erudita elementos nacionais. Seu pai despertou em Villa-Lobos o interesse pela música, ainda jovem ele estudou violoncelo e violão. Ele foi um dos grandes nomes na Semana de Arte Moderna, no ano de 1922. Sua obra era reconhecida mundialmente. Ao falecer o The New York Times dedicou um editorial em sua memória. Também teve sua vida adaptada para o cinema, sendo representado por Antônio Fagundes.
Obras sugeridas:
Bachianas Brasileiras – A Bachiana nº 2 em especial traz um movimento bem famoso chamado O Trenzinho do Caipira, onde, com sons, Villa-Lobos consegue criar uma música totalmente visual.

Valeu pela revisão, Gabi!
Muito bom o artigo. Gosto de ouvir música clássica, mas não tenho nenhum conhecimento técnico sobre o assunto. Desconhecia que existiam tantas classificações como as que você mencionou. Vou salvar este endereço nos meus favoritos.
Abraço, meu caro
Ficou resumido e informativo.
Muito bom,