Tive a honra de assistir em primeira mão o filme Assalto ao Banco Central que estreia hoje nos cinemas.

Antes do projetor ser ligado, um dos atores do filme, o grande Milton Gonçalves, anunciou que a equipe que produziu o filme acreditava que Assalto ao Banco Central poderia ser um marco para o cinema nacional. E realmente pode. A produção é muito boa em diversos aspectos.
O primeiro deles é contar a todos o que aconteceu naqueles dias. Como assim o Banco Central foi assaltado? Tá certo que em nosso país há pouco do que se duvidar, mas acabamos descobrindo que o que poderia ser contado apenas em um filme clichê hollywoodiano aconteceu de verdade nos cofres da sede do Banco Central em Recife. Argumentos batidos de filmes ruins aconteceram em nossas terras. Câmeras de segurança que não gravam? Sensores de movimentos adulterados? Funcionários do próprio banco colaborando com bandidos? Todos os clichês de filmes americanos deixaram de ser ficção.
O segundo aspecto é que percebe-se a construção de uma identidade dos filmes de ação do cinema nacional, assim como esses tipos de filme, quando produzidos em outras terras tem a cara daquela terra, a nossa identidade também começa a exibir sua face. Assalto ao Banco Central nos mostra um pouco de cada coisa do que já vimos em outros excelentes filmes nacionais de ação, sem que isso seja prejudicial, é apenas nós mesmos falando de nós mesmos. Seria imperdoável se víssemos por exemplo uma estética que não corresponde a nossa cultura, como a de Onze Homens e um Segredo. O diretor Marcos Paulo (que soube diferenciar direção de TV e direção de cinema), foi muito feliz em se ater a nossa cultura.
Também chama atenção a atuação de Juliano Cazarré e Vinícius de Oliveira (de quem tive a honra de ser convidado para a pré-estreia), que interpretam personagens completamente diferentes, um é um bandido com furia na pele e o outro é um evangélico retraido, ambos, personagens e atores, diversas vezes roubam a cena.
Por fim, eu sou um especialista em filmes de assalto a banco, situações em aviões, veículos descontrolados, e histórias contadas em apenas um cenário. E com esse título de especialista dado por mim mesmo, digo, Assalto ao Banco Central está aprovadíssimo. É uma diversão que vale a pena. Esqueça seu preconceito bobo com o nosso Cinema e vá conferir o que é nosso, porque como eu disse é de nós para nós mesmos.
TweetQuem me conhece sabe, sou um noveleiro de plantão. Desde pequeno tive interesse em assistir as tramas exibidas em todas as faixas de horário. Ultimamente, a safra anda muito ruim. Há pouco tempo, a Veja publicou uma crítica ao realismo que funcionava antigamente em novelas como Vale Tudo e que hoje já não dá mais leite. Será que é o momento de abandonar as fórmulas do realismo e criar tramas fantasiosas como aconteceu em Fera Ferida e Roque Santeiro?
Enquanto os autores não se decidem sobre essa crise noveleira, eu tenho curtido boas horas no Canal Viva e tive a chance de assistir a reprise um dos melhores folhetins de todos os tempos: Vale Tudo. A novela foi ao ar num momento muito crítico para os brasileiros, o país estava em crise econômica e em processo de redemocratização. Obviamente, a trilha-sonora da novela refletia também esse momento, sem deixar de lado os grandes hits internacionais dos anos 80.
A abertura da novela trazia uma das mais inspiradas composições de Cazuza, Brasil, na voz de Gal Costa. Provavelmente quando a novela foi ao ar, em um Brasil que procurava respirar um pouco de democracia, o grito de Gal era sempre um momento de protesto. Hoje o que parece ser apenas um powerpoint mal feito, representava um avanço tecnológico muito grande.
Outra música representativa para o momento em que o país vivia era, É do saudoso Gonzaguinha. “A gente não tem cara de panaca/A gente não tem jeito de babaca” diziam os versos da canção, que demonstrava tudo o que sentia uma nação reconstruindo um país. Era como uma resposta de Raquel Accioli, uma brasileira batalhadora, a toda arrogância dos empresários sem escrúpulos como Odete Roitman e Marco Aurélio.
Em contrapartida a tanto protesto, os hits dos anos 80 embalavam as cenas não políticas da novela. Tracy Chapman, que por muito tempo me enganou, porque eu achava que era um homem, começava a cantar Baby Can I Hold You sempre que Raquel e Ivan tinham seus momentos longe das garras de Odete. Cenas nada raras.
A maior vilã de todos os tempos, não poderia deixar sua sofisticação de lado e sua música tema era cantada em francês, Il Faut Savoir em uma interpretação de Charles Aznavour. Sua filha, Heleninha, não deixava por menos e tinha suas cenas embaladas pela italiana Ornella Vanoni cantando Me In Tutto Il Mondo.
Por fim, além de tantas outras, ainda podíamos ouvir George Michael com Father Figure e Sade com Paradise, sempre presentes nas famosas cenas de “A Seguir, Cenas do Próximo Capítulo”.
Já está chegando o fim de Vale Tudo no Canal Viva. Vou sentir saudades dessa festa pobre que os homens armaram pra me convencer.
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